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30

de

setembro

Outras trilhas

Aprendi de uma maneira bem difícil que existem algumas clausulas pétreas no universo religioso, doutrinas que não podem ser alteradas, pois se forem questionadas a vida de fé perde o sentido.

Crescemos aprendendo que “Deus tem um plano para cada criatura”, “Deus está no controle” entre outras frases de efeito que consolam o coração em situações difíceis.

Confesso que viver sob essas idéias é bem conveniente, jogar no plano divino tudo o que acontece na vida é bem confortável, bem leve, pois apenas seguimos o caminho já estipulado antes da fundação do mundo. Isso seria ótimo, pois minhas vaciladas seriam o cumprimento do plano de Deus e não poderiam ser julgadas como erro ou pecado.

Não dá, pra mim não dá, me despedi dessas idéias e apesar de ter que assumir meus erros sou mais feliz assim, não vejo Deus como o autor de tudo o que me ocorre, tenho um Deus parceiro e não ditador que dita a dor.

Me apaixonei pelo Deus que participa da vida permitindo que eu faça minhas bobagens, ao invés de pensar que Ele está no céu com a testa enrugada pronto para me punir, penso que Ele vê minhas mancadas e lamenta, as vezes cai na risada, as vezes chora, mas sempre ouço sua doce voz: Continue, estou contigo.

Estou livre da teologia que precisa de punição, estou livre da igreja que gosta de disciplina, estou livre do cristianismo que gera medo, estou livre… Estou livre desse inferno de vida.

Qual é a conseqüência do pecado? O pecado, po!

Encontrei um Jesus que convida para a Vida e muita Vida.

Colei do site do Gondim:

Não tenho medo do julgamento final, sei que seremos julgados por um olhar de criança… Quando hoje me coloco diante desse terrível olhar inocente, não consigo ter ilusões sobre mim mesmo e, ao mesmo tempo, não posso mais desesperar. Quando fomos olhados assim, não nos sentimos mais fora do alcance do amor, qualquer que seja a espessura de nossas máscaras. Jean-Yves Leloup

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30

de

setembro

Aproveitando o deserto

 

Há algum tempo fui com alguns amigos conhecer o ministério da MEVA, Missão Evangélica da Amazônia, ficamos durante uma semana em uma tribo. Foi uma experiência incrível. A viagem até a aldeia já é maravilhosa, sobrevoando a Amazônia, seus olhos ficam vidrados com a imensidão da floresta, a força, o poder daquele local. Em um determinado dia o coordenador da MEVA e meu tio fez uma proposta: Sair com os índios, barco e caminhada durante 5 horas. Saímos as 5h. Passamos o dia com um grupo de índios, estava muito empolgado com a experiência, mas num determinado momento pensei: “Se esse índio me deixar aqui eu nunca mais volto pra casa”. Sabe o que é olhar para os lados e não ter a menor idéia de onde você esta? Estava tudo muito bem e bastou pensar de uma outra maneira que aquele lugar maravilhoso tornou-se um ponto de tensão. Uma floresta pode se tornar um deserto.

Esses lugares distantes, isolados são fascinantes e ao mesmo tempo terríveis. Uma selva, ao mesmo tempo que é arrebatadoramente bela, é também imprevisivelmente perigosa. Um animal selvagem pode em segundos transformar-se de uma bela criatura em um assassino. Uma trilha na montanha pode levar a uma vista maravilhosa, assim como num precipício. Existem momentos que independente de onde estamos ou com quem vivemos somos levados a um deserto – porque esse deserto é tanto geográfico assim como uma metáfora espiritual. Foi para Moises, para Davi e foi para Jesus na Judéia.

A vida corre seu curso normal, arrumamos emprego, organizamos nossas agendas, aceitamos responsabilidades, criamos os filhos. Mas de repente parece que estamos alienados. Não sabemos o que esta acontecendo com a gente ou com os que nos rodeiam, momentos que brotam em nos sentimentos que nunca tivemos antes. Há uma mudança radical em nossa leitura da vida. Sentimos que estamos fora do controle, e sem controle. Estamos em um lugar distante, estamos em um deserto.  Esse deserto circunstancial pode acontecer em qualquer lugar, pode ser em uma pequena casa em que você tem serias dificuldades para pagar o aluguel assim como pode acontecer nas grandes mansões da cidade. Pode acontecer diariamente no transito. Para alguns pode significar ter que cuidar de uma pessoa amada, não pelo fato de ter que cuidar, mas por ver alguém que você ama condenado a uma cama. Acompanhar uma doença sem previsão de alívio, enfrentar a morte. Para alguns esse deserto pode ser aquela pessoa amada que partiu sem esperança de retorno. Isso pode ter começado quando você chegou em casa e tinha um bilhete em cima da cama e os armários e gavetas vazios.Quando alguém se julga famoso, conhecido pelo que faz, honrado e respeitado pela comunidade, é colocado em um lugar onde ninguém mais o conhece e nunca soube dos seus feitos, pode encontrar ali um deserto.

O deserto é um lugar de dor, mas pode ser também um lugar de transformação. O mestre Eugene Peterson escreveu: “Não devemos ser ingênuos quanto ao deserto, é um lugar perigos, mas não devemos evitá-lo, é um lugar maravilhoso”. Se você esta vivendo um tempo assim lembre que o deserto pode representar para você um lugar de autenticidade e de verdade. Um lugar de encontro consigo mesmo, com suas mentiras e ilusões. Nossas motivações vêm à tona, e, com isso podemos iniciar um processo de purificação da alma e do coração. Então não importa o que te levou ao deserto, o que importa é que esta experiência pode ser uma experiência com Deus, onde tudo o que não é de Deus se desfaz. Sendo assim a conclusão é que precisamos de um tempo para nos descobrir e encontrarmos Deus. Períodos áridos podem ser muito úteis para você se conhecer e se preciso for se reinventar.

Você pode transformar seu deserto em um oásis de Paz, esse período tão complicado pode entrar para a historia de sua vida como um tempo de entrega e intimidade. O grande lance é trilhar a existência com os olhos fixos em Jesus cientes de que Ele está com os olhos fixos em nós.

“Creio em Cristo como creio que o sol brilha, não só porque o vejo, mas porque por meio dele vejo tudo mais.” CS Lewis

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