2
de
janeiro
2009
Gosto muito do livro “O velho e o mar” e passei esse gosto para meus filhos que com frequencia me pedem para eu contar a história antes de dormir. É um romance que fala de um velho pescador que se lançou em um desafio: pescar o maior peixe. Foi uma dura tarefa, alguns dias em alto mar lutando, até que conseguiu, pescou um peixe tão grande que teve que amarrá-lo do lado de fora do barco, mas ao chegar em terra o peixe ja tinha sido devorado por outros peixes no percurso.
É um romance, não aconteceu, mas continua acontecendo, porque a essência do livro não são pessoas pescando peixes enormes, o livro fala de pessoas que querem fazer algo antes de morrer, provar que a vida valeu a pena, o livro fala da frustração de pessoas que lutaram a vida toda e não perceberam que estavam lutando por algo errado e lá no final o que sobrou foi um esqueleto, um trofeu devorado pelo tempo.
É como aquela pessoa que, subiu, subiu, subiu e quando chegou lá em cima descobriu que tinha encostado a escada na parede errada.
Há um desespero no ser humano por viver certo, é verdade que o nosso medo não é morrer, nosso medo é não viver a vida com intensidade, nosso medo é não desfrutar o presente e nesse periodo de fim-começo de ano fazemos muitos planos e vou me atrever a te deixar algumas idéias:
*Não coloque sobre seus ombros a necessidade de ter que resolver os problemas de todos, de ter que ser sempre maduro e sábio, jogue isso fora, viver assim é muito pesado, assuma suas limitações, isso é maravilhoso porque sabedoria é saber viver sem essa obrigação de certezas e absolutos, em outras palavras ser sábio é também saber dizer: não sei, não entendi, não consegui. Essa sabedoria liberta porque da a você a liberdade de ser você mesmo.
*Precisamos tirar de nós essa mania que temos de achar que somos os melhores e que as coisas dependem de nós. “Se eu não for, não vai dar certo…” “Se eu não participar…” Sabe essas pessoas que acham que o mundo gira em torno delas? Isso é bobagem, nossa busca não é a de prevalecer sobre os outros, mas sim fazer com que a nossa vida seja significativa na vida do próximo. Deixa de ser importante e passe a ser útil.
*Não seja demasiadamente rigoroso. Pra que esse rigor? Temos que trilhar o caminho da ponderação. Não devemos ir nem ao extremo da justiça nem da loucura. Isso daria a nós a prepotência de que sabemos tudo, colocamos sob nós um rigor existencial tão grande, expectativas de vida tão altas que não conseguiremos alcançar e ainda teremos que viver cheios de culpa e com pouca gente ao redor, porque poucos terão a ousadia de acompanhar alguém tão “bom”.
Jesus condenou os lideres religiosos por colocarem a vida espiritual em um nivel tão elevado que ninguém conseguia alcançar e aquilo que deveria gerar alegria e libertação, gerava culpa, angustia e medo.
Vá com calma, encontre um caminho de bom senso e não se preocupe, porque as vezes vemos algumas pessoas corretíssimas, justas, donas da verdade, os detentores dos melhores argumentos. Não se encante com os donos da verdade, escolha a companhia dos simples, dos que tem dúvidas e que estão trilhando um caminho de integridade e não um caminho de absolutos.
Para encerrar faço com você a oração de Moisés na saída do Egito: “Senhor, não nos tires daqui se o Senhor não for conosco”. Amém.
Feliz 2009





